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Dia desses li uma matéria em que o sociólogo Karl Pillemer, da renomada Cornell University, faz a seguinte pergunta para pessoas acima de 70 anos: “Se você pudesse voltar no tempo, o que faria diferente?”
Ele entrevistou mais de 1.500 americanos para o Legacy Project, uma das maiores pesquisas sobre sabedoria de vida já realizadas, e descobriu algo fascinante: as respostas não apontam para trabalho, dinheiro ou conquistas profissionais, mas sim para arrependimentos que poderiam ter sido evitados.
O arrependimento que mais pesa: a preocupação que nunca aconteceu
O arrependimento mais comum que Pillemer encontrou em sua pesquisa é surpreendente: não é o fracasso, mas a preocupação com o fracasso.
Pessoas descrevem anos gastos em ansiedade, preocupação crônica, antecipação de problemas que nunca se materializaram. Elas olham para trás e veem um desperdício de vida não em ações, mas em pensamentos que roubaram sua paz.
Quando li isso, respirei aliviado. Essa preocupação excessiva nunca foi minha companheira, talvez porque eu sempre tive uma coisa: a coragem de tentar.
O dia em que decidi sair de um casamento em que não me sentia mais feliz, eu não passei anos preocupado com o que as pessoas diriam, mas reconheci o sentimento e mudei o rumo da vida. E assim foi com várias mudanças de percurso que fiz pela vida, onde nem tudo deu certo na primeira vez, mas eu não fiquei de braços cruzados e agi.
Porque aqui está um grande pulo do gato que Pillemer descobriu: no curto prazo, nos arrependemos de ações. No longo prazo, de omissões. Aos 80 anos, o que dói não é a vez que você tentou e falhou. É a vez que nem tentou.
O relacionamento que você deixou morrer
O segundo padrão mais consistente na pesquisa é sobre relacionamentos não cultivados. Amizades que foram sumindo, família que foi sendo postergada. Conflitos que nunca foram resolvidos.
Ninguém no leito de morte desejou ter passado mais tempo no escritório.
Essa frase é clichê porque é verdadeira. E eu não sou exceção.
Mas aqui está a diferença: eu lutei pelos meus relacionamentos. Sim, tive discussões familiares – toda família tem. Mas eu não deixei elas virarem feridas abertas. Sempre busquei solucionar o que dava, conversar, alinhar e procurar me manter próximo das pessoas envolvidas.
Com minha ex-esposa, mãe dos meus filhos, eu mantive uma boa relação porque a família continuaria. Com meus filhos, eu sempre estive presente – não apenas financeiramente, mas emocionalmente. Conversando, orientando e buscando ser um pai amigo dos meus filhos.
E com Cidinha, minha companheira e esposa atual, eu escolho estar presente todos os dias, porque aprendi que relacionamento não é algo que você deixa no automático, precisa regar constantemente ou murcha.
A vida que você vivia era realmente sua?
Bronnie Ware, enfermeira australiana que cuidou de pacientes terminais, documentou os cinco arrependimentos mais comuns no fim da vida. O primeiro, citado pela maioria absoluta, foi a falta de coragem para viver uma vida autêntica.
Não a vida que os pais ou a sociedade esperavam, mas a vida que realmente desejava viver.
Meu pai sugeriu que eu fosse industrial, que seguisse a tradição familiar. E eu poderia ter feito isso por obrigação, por medo de desagradar. Mas não foi o que fiz. Transformei aquela sugestão em uma escolha pessoal autêntica e fui para a indústria, sim, mas porque eu quis. Porque vislumbrei uma oportunidade de ajudar pessoas, criar empregos e construir algo que durasse. E encontrei sucesso e felicidade nessa escolha.
E sabe o que aprendi? Coragem é importante, mas coragem sozinha não é suficiente. Você precisa de capacidade, conhecimento; de saber nadar antes de pular na água.
Minha mãe me ensinou o “exame de consciência” – aquele hábito de refletir sobre suas ações, escolhas e motivos. E isso me ajudou a viver uma vida que era realmente minha, não uma vida que eu estava fingindo viver.
A pergunta que você deveria fazer agora
Pillemer chama de “prospective regret minimization” – antecipar o arrependimento antes que ele aconteça.
A pergunta é simples: “Quando eu tiver 80 anos, vou me arrepender de não ter feito isso?”
Se a resposta for sim, a decisão já está tomada.
E cá entre nós, você não precisa esperar ter 80 anos para aprender essas lições.
O que eu faria diferente?
Quando eu relembro minha vida, e tenho feito isso bastante ultimamente, relendo meus próprios escritos, fico feliz de não encontrar grandes arrependimentos.
Não porque fui perfeito, mas porque entre outras coisas, fiz escolhas conscientes, lutei pelos relacionamentos e tive coragem de ser autêntico.
Sim, há coisas que eu faria diferente. Talvez tivesse sido mais compreensivo em alguns momentos, ouvido mais antes de falar ou tivesse reconhecido meus limites mais cedo. Mas o grande arrependimento que muita gente carrega, aquele de ter vivido uma vida que não era sua, esse eu não tenho. Graças a Deus!
E quanto a você que está lendo esse texto agora, quero te lembrar que ainda tem tempo e pode fazer diferente. A pergunta é: quando você tiver 80 anos, vai se arrepender de não ter feito isso agora?