O mundo em evolução constante – Parte 1

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Eu vou partir da premissa de que, nos últimos 10 anos, o ser humano tem sido o centro de uma ebulição inimaginável que está acontecendo bem debaixo dos nossos olhos e eu estou assistindo de camarote e aplaudindo efusivamente.

A medicina nos últimos 50 anos caminhou mais de 200 anos, operando verdadeiros milagres, a exemplo dos novos tratamentos para o câncer, à base de imunoterapia, que estimula a capacidade imunológica de combater a doença atacando apenas as células cancerígenas. Não são todas as pessoas que reagem bem a esse tratamento, mas quem reage bem, tem alcançado resultados bem positivos.

Tomando esse exemplo como consideração, a evolução desse tratamento vai domar esse mal impiedoso chamado câncer e poderemos começar a pensar em viver pelo menos 150 anos.

Em 2007, o médico americano Jeffrey Gulcher, de 48 anos, descobriu através da empresa que ajudou a fundar – Decode Genetics – que fazia análise de DNA através do exame de mapeamento de seus genes (sequenciamento completo de seu DNA), que tinha duas vezes mais chance de ter câncer de próstata do que a média da população. Procurou um urologista e, após uma biópsia, descobriu que tinha um tumor agressivo na próstata. Graças ao diagnóstico precoce, seu tratamento foi bem-sucedido e em breve o sequenciamento de DNA será um processo rotineiro no futuro, como o raio-x e a ressonância magnética e poderemos prevenir com muito mais tranquilidade e assertividade.

Eu sempre acreditei que era uma pessoa sadia, mas hoje posso afirmar que além de ser filho de meus pais, também sou filho da Medicina. E digo isso do alto de meus 79 anos, depois de passar por quatro cirurgias importantes e driblar algumas doenças bem chatinhas que se iniciaram com uma otite ainda nos primeiros anos de vida.

Logo em seguida, com seis anos, veio a primeira cirurgia, apendicite, que amenizou problemas de falta de apetite e prisão de ventre. (Herança de problemas digestivos da família de meu pai, pois do lado materno tive uma vó que foi até os 90 e alguns, a tia quase 90 e a minha mãe foi até os 85 anos, o que há cerca de 30 anos se tratava de um grande feito!)

Por volta dos meus 40 anos, passei por uma cirurgia no pulmão, aos 57 anos foi a vez da próstata e pouco tempo depois, a pior de todas, que foi a cirurgia do intestino, na qual ele foi subtraído em 35 cm e no final deu tudo certo.

Nada disso impediu que eu trabalhasse muito, sempre e com muita energia! Eu fui mudando, evoluindo e sempre trabalhando!

Só que nos últimos 20 anos, apesar de todos os avanços tecnológicos, eu venho percebendo que a humanidade está um pouco confusa. As mulheres não sabem o que querem, os homens também não e muitos deles estão em dúvida até a que gênero pertencem, o que tem provocado muita discussão e estranhamento entre muitas pessoas no mundo inteiro.

Pesquisas bem recentes também indicam que uma grande parcela da população não consegue raciocinar com fluidez, fato que atribuo como sendo um reflexo do nível raso do nosso sistema educacional, que vem formando uma leva de jovens com índice abaixo do desejado para interpretação da realidade, das questões políticas, sociológicas, familiares, financeiras, humanitárias e muitas vezes até sobre as próprias carreiras profissionais a serem trilhadas, quando o esperado era que estivessem sendo formadas para desenvolver seus talentos.

O que falar dos professores? Uma categoria profissional das mais importantes e vitais para o desenvolvimento de qualquer nação, e que, infelizmente, aqui no Brasil, sofrem com a descaso com que os governantes os tratam, obrigando-os a optarem por carreiras de maior reconhecimento financeiro, apesar da aptidão vocacional ou do potencial para dividir conhecimentos.

E o que pensar sobre esse emaranhado ideológico político, em que ideologias se misturam a sandices que mais parecem seitas religiosas que querem dominar territórios, mentes e corações, muitas vezes provocando condições precárias para a população local, com parcas condições de sobrevivência, a exemplo do que acontece com a nossa vizinha Venezuela.

De um lado, a evolução em todas as áreas do conhecimento amplia a longevidade do ser humano e do outro percebemos uma inquietude na forma de se relacionar com esse novo mundo, que traz novas possibilidades em todos as áreas do conhecimento, mas também traz angústias de como será o amanhã e de como reagiremos a essa fonte inesgotável de inovação, que com a ajuda da tecnologia, ficará cada vez mais difícil mensurar aonde iremos chegar.

Mas, não podemos esquecer, nós estamos no centro de toda essa revolução e sempre seremos os personagens principais da nossa própria história. A automatização de algumas funções antes exercidas pelo homem pode ser uma grande aliada para que haja mais tempo para o lazer, para a evolução da mente humana, para melhor avaliação de sentimentos, para aprimoramento da criatividade, para darmos mais asas a nossa imaginação. O que de fato pode ser muito bom.

Surgirão novos empregos, novas formas de empreender, novas ferramentas de trabalho e o homem sempre estará no centro do universo da criação.

(Na próxima semana publicaremos a parte 2 deste artigo! Não percam!)

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