Uma mulher nota 1000

Tempo de leitura: 6 minutos

O Dante Destaca desse mês de dezembro de 2018 vai para uma aniversariante muito especial e querida, que eu conheci quando tinha apenas 13 anos de idade e que, desde então, sempre esteve presente em todos os momentos importantes da minha vida, me dando a maior força para seguir em frente na realização dos meus objetivos.

De quem estou falando?

Da minha companheira de todas as horas, Cidinha!

Ainda adolescente, ela precisou conciliar estudos e trabalho para dar uma força aos seus familiares e como queria muito trabalhar na Ramenzoni mas ainda não tinha idade para ser contratada, seus pais tiveram que assinar uma autorização junto ao nosso departamento de Recursos Humanos, conforme exigência governamental da época.

Estávamos no ano de 1962, eu já havia retornado ao Brasil, após concluir meus estudos nos Estados Unidos. E eu me lembro bem daquela menina alta, magra e tímida!

Sua primeira função na nossa empresa foi de auxiliar do departamento de programação de produção das confecções.

O chefe dela era um italiano, muito amigo do meu pai, que a promoveu poucos meses depois, ao constatar que se tratava de uma pessoa muito inteligente, ágil e determinada a crescer na empresa.

Em dois anos tornou-se chefe do departamento, um verdadeiro ponto fora da curva, considerando que nossa empresa sempre foi muito inovadora, à frente do tempo linear, o que exigia alta performance dos nossos colaboradores, fazendo um filtro natural, que destacava naturalmente os que mais se alinhavam com o nosso estilo de arrojado de gestão.

O tempo passou… mais precisamente 10 anos, nós vendemos a Ramenzoni para o Ricardo Mansur do Grupo Mappin e nos fixamos na Papirus, que estava inaugurando a planta nova em Limeira. Meu pai tinha um secretário, o Élvio, que era um primo dele, mas que estava querendo se aposentar, então o Seu Ziro me pediu que arrumasse um novo secretário para assessorá-lo.

Eu fiquei pensando… “secretário novo, hum… tem que ser alguém de muita confiança, mas eu não tenho ideia onde vou encontrar essa pessoa… vou consultar o nosso gerente de RH, Carlos Matua, para me ajudar nessa empreitada.”

Foi durante a nossa conversa que o Carlos sugeriu que podíamos convidar a Cidinha e então, como achei a ideia excelente, ele ficou de checar com ela se estaria disposta a encarar essa nova missão, afinal já estava seguindo uma carreira brilhante e se destacando na Ramenzoni.

Assim que soube da nova possibilidade, ela pediu que queria pensar a respeito, criou uma certa expectativa, mas dois dias depois topou o desafio e veio assessorar o meu pai, que estava meio ressabiado e dizendo: “Ma è una donna!”

Eu mais do que depressa disse-lhe que caso ele não aceitasse a contratação da Cidinha eu ia solicitar que ela viesse trabalhar comigo, pois tratava-se de uma profissional muito competente, séria, que faria a diferença nas nossas vidas.

Diante dessa argumentação e também porque conhecia muito bem a Cidinha, meu pai aceitou a nossa sugestão e foi assim que o universo começou a traçar os novos rumos que nossas vidas iriam assumir no futuro.

Tempos depois, completamente ambientada com as tarefas demandadas pelo meu pai, já casada e mãe de uma filha, ela deixou transparecer que poderia agregar mais funções e eu a convidei para também assumir o cargo de secretária do presidente, posto ocupado por este que escreve essa história, com uma carga forte de emoção no coração. A fábrica da Papirus, como eu já disse, ficava em Limeira, e eu precisava de uma pessoa de extrema confiança e competência para ficar no escritório em São Paulo quando eu me ausentasse para cumprir as muitas viagens para o exterior ou para cumprir a agenda semanal, na sede da empresa no interior de São Paulo. Cidinha, sem dúvida, era essa pessoa!

Aos pouquinhos, ela foi assumindo cada vez mais novas responsabilidades no trabalho e também tinha a maior boa vontade para auxiliar a todas as pessoas da família que solicitavam sua ajuda em assuntos de cunho pessoal e profissional, que ela se esforçava para atender e ajudar, sempre com sorriso nos lábios e muita disposição para resolver tudo, mesmo se tratando muitas vezes de missões quase impossíveis.

Para vocês terem uma ideia do que estou falando, nos tempos da Ramenzoni, nós tínhamos uma loja da fábrica que vendia as roupas a um custo reduzido. Em datas comemorativas, como Dia das Mães, Pais e Natal, o movimento aumentava consideravelmente e tínhamos que trazer profissionais extras para atender a alta demanda. Quem vocês acham que ia dar uma força e era a campeã de vendas?

Ela mesma! Cidinha!

Que nunca media esforços para nos ajudar a fazer acontecer.

E assim as coisas foram caminhando, com as conquistas e os desgastes naturais que a vida profissional nos reserva durante o seu percurso, e com as aparas dos conflitos que os relacionamentos familiares nos impõem e das quais precisamos ter jogo de cintura para superá-los.

Comigo não foi diferente!

Foram muitas surpresas boas e muitos desafios espinhosos a serem superados.

Não vou ficar enumerando e nem nomeando o que já passou, pois passou e foi curtido ou superado, mas uma coisa é certa: sempre pude contar com a ajuda profissional e também com a amizade da Cidinha, mesmo nos momentos mais difíceis e que posso garantir, não foram poucos! (Quem quiser conferir em detalhes, conto tudo na minha biografia, que lancei em 2017!)

E foi assim, dia após dia, que um belo dia, depois de algum tempo em que já estava divorciado, eu, pela primeira vez, olhei a Cidinha e enxerguei uma mulher linda, exuberante, um pedaço de mal caminho (como diziam os mais antigos…) e que poderia, quem sabe, ser a mulher da minha vida e eu nunca havia parado para pensar nisso.

E então, a força do Universo impulsionou a nossa trama romântica, nós nos apaixonamos, enfrentamos um catatau de situações embaraçosas, superamos todas as maledicências, nos casamos, compramos uma fazenda, colocamos de pé o projeto Guzerá Ramenzoni – que foi um verdadeiro sucesso no segmento de agronegócio -, e seguimos escrevendo uma história digna de cinema!

25 anos de muita entrega, companheirismo, amizade, cumplicidade e AMOR! (Isso sem contar todos os anos que trabalhamos juntos, antes do romance acontecer!)

Especialmente hoje, 13 de dezembro, quero desejar para a Cidinha que ela continue essa pessoa maravilhosa que é, que tenha muita saúde, alegria, serenidade e que siga ao meu lado, cada dia mais linda, radiante com a vida, simplesmente sendo Cidinha.

Essa mulher nota 1000, que ama trabalhar, produzir, realizar…

E que eu amo viver ao lado dela!

Cidinha e Dante Ramenzoni. Um casal nota mil

 

 

 

2 Comentários


  1. Que belo testemunho de amor, amizade e respeito. Conhendo-os, como conhecemos, só podemos endossar e aplaudir este texto. Só recebemos da Cidinha, palavras de encorajamento e sólidas demonstrações de amizade. Ela merece tudo o que de melhor a vida reserva.

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  2. Dante,
    A Cidinha é uma pessoa realmente muito especial como você.
    Ela é uma pessoa que sempre se dedicou a tudo e principalmente a você.
    A gente sente esse amor fluir dos poros dela.
    Esse amor durará por outras vidas, tenha certeza.
    Adoro vocês.

    Responder

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