Nada melhor do que começar a semana com poesia

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Para encerrar o mês de novembro, um pouco de poesia para animar a alma!

Da vastíssima obra de José Saramago (1922-2010), notável escritor português e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, transcrevo a seguir, o poema “Quantos Anos Tenho”, no qual Saramago retrata, com preciso pragmatismo, o real significado da idade de vida!

Temos nesses versos uma boa reflexão que demonstra que a idade cronológica é apenas um referencial, não devendo ser-lhe dada tanto valor, pois o importante mesmo é o estado de ânimo da pessoa, como se sente, sua vontade, seus sonhos, desejos e sua real disposição. Viver a vida com leveza!

Até porque, como a vida aos poucos vai nos ensinando, existem jovens que já são velhos e, em número cada vez maior, existem idosos com invejável jovialidade!

“Frequentemente me perguntam quantos anos eu tenho…

O que isso importa?

Tenho a idade que eu quero e sinto.

A idade em que eu posso gritar, sem medo, o que eu penso.

Fazer o que eu desejo, sem medo do fracasso ou do desconhecido.

Eu tenho a experiência dos anos vividos e da força da convicção dos meus desejos.

Que importa quantos anos eu tenho?

Eu não quero pensar nisso!

Alguns dizem que estou velho e outros, que eu estou no auge.

Mas não é a idade que tenho, ou que as pessoas dizem, mas o que meu coração sente e meu cérebro dita.

Eu tenho os anos necessários para gritar o que eu penso, para fazer o que eu quero, para reconhecer erros passados, retificar caminhos e guardar meus êxitos como tesouros…

Agora as pessoas não têm porquê dizer: Você é muito jovem, não faça isso.

Tenho a idade em que se olha as coisas com mais calma, mas com interesse de continuar crescendo…

Tenho os anos em que os sonhos começam a nos acariciar com os dedos,

e as ilusões se transformam em esperança.

Tenho os anos em que o amor, às vezes é um surto louco, ansioso para consumir-se no fogo de uma paixão desejada.

E às vezes um refúgio de paz, como o pôr-do-sol na praia.

Quantos anos eu tenho?

Não preciso marcar isso com um número, pois minhas realizações, meus triunfos, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver meus sonhos destruídos valem muito mais do que isso…

Que importa se eu tenho vinte, quarenta ou sessenta (setenta e nove… D.E.R)?

O que importa é a idade que eu sinto.

Tenho os anos que preciso para viver livre e sem medos, porque carrego a experiência e a força dos meus desejos…

(José Saramago)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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