Duas grandes paixões que retornam

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Outro dia assisti um vídeo onde o Abílio Diniz defendia que ter 80 anos na atualidade representa os novos 60, por que só envelhece quem não tem vontade de viver, não tem sonhos a realizar, quem não faz planos. Dizia ainda que, se a cabeça é velha, aí não tem jeito porque a velhice é interna, é espiritual e idade é apenas uma questão de ponto de vista.

Dias depois, no dia 7 de setembro, também vi a declaração de uma senhora que estava toda vestida de verde e amarelo na Avenida Paulista e um repórter foi entrevistá-la:

_Quanto anos a senhora tem?

_ Eu tenho 99!

_ O que a senhora veio fazer aqui?

_ Eu vim combater o comunismo! O que eu quero é liberdade! Fazer o que eu quero, como eu sempre fiz!

Por que eu escolhi essas duas mensagens para iniciar essa postagem?

Porque elas ilustram muito bem as duas histórias que tenho para contar hoje sobre a importância de planejarmos a prévia solução dos muitos problemas que o nosso corpo, a “nossa máquina” pode apresentar com o envelhecimento das nossas “peças originais”.

E esse tema de hoje tem tudo a ver com isso, pois eu finalmente consegui, após duas cirurgias, voltar a fazer uma das coisas que mais gosto na vida, apesar dos 82 anos: andar de moto!

É minha gente! Eu consegui! E foi muito bom retomar o nosso ritual que já virou tradição há mais de 50 anos.

Nos encontramos como sempre no posto de gasolina. Batemos aquele papo descontraído. E saímos em comboio. Dessa vez, foi um comboio de apenas de três pessoas, o que faz parte do novo normal. Eu, Mário Foschi e Beto Bernardes, o “nosso Presidente”.

(Essas partidas de nossos comboios, em grupos maiores, são sempre tão democráticas. Quem chega no horário sai junto, quem se atrasa não fica chateado porque ninguém ficou esperando. Deixamos um recado com alguém no posto e eles vêm ao nosso encontro.)

Mas esse passeio, em especial, além de agradável e de curta duração, foi também de sentimentos diferenciados.

Fomos para o Lago Azul, nas proximidades de Jundiaí, próximo à Serra Azul, cerca de 50 KM da capital.

Querem saber o que eu senti?

Uma sensação de dever cumprido.

“Fiz o que tinha que fazer e depois retornei à base!”

Por que não é fácil voltar a andar de moto, depois de passar por duas cirurgias, pausar os treinamentos físicos, musculatura menos ativada…

Tive que começar treinando na Scooter, pequenos trechos, porque a moto Harley pesa mais de 300 quilos. A BMW GS é menos pesada, porém, mais alta, menos segura para andar na cidade, tem que forçar mais o pé para parar, porque não podemos esquecer que quando estamos sobre duas rodas, o pé é como se fosse a terceira roda. Se ele falhar, o tombo é certo e não é nada agradável tombar com uma moto de 300 quilos e eu sei bem o que é isso!

O teste foi muito bom, eu fiquei satisfeito com a minha performance, principalmente no equilíbrio.

O médico que fez a cirurgia do quadril havia me orientado de que no retorno as minhas andanças de moto, eu ficaria um pouco prejudicado no quesito equilíbrio em função de alguns procedimentos que foram realizados para o sucesso da cirurgia.

De fato, após começar com pequenas caminhadas, essa questão do equilíbrio foi normalizando e então passamos ao segundo ponto a ser resolvido antes de subir na moto e sair por aí.

E essa questão era: será que eu estava preparado mentalmente ou estava ainda com medo de andar de moto?

Essa questão só eu poderia responder, um ano e meio depois de uma longa quarentena, seguida por duas cirurgias, na coluna e no quadril.

Precisava viver a situação de sair do estágio de sentir vontade de fazer e realmente viver a situação na prática.

E vou contar para vocês um detalhe que fez toda a diferença: dias antes de subir na moto grande, eu experimentei a Scooter e devo confessar que fiquei mais emocionado nesse teste do que no primeiro passeio oficial. E a explicação é simples: eu tinha uma série de pontos de interrogação pairando no ar; não sabia como estava o meu equilíbrio, o meu emocional…

Mas bastou eu subir na Scooter para me dar conta de que havia superado o medo pós-cirúrgico e ficar radiante por ter conseguido sair do ponto A e chegar no ponto B para avaliar, na prática, os resultados conquistados.

Nesse dia, em cima de uma moto de apenas 150 quilos, eu me senti orgulhoso da minha iniciativa e feliz por voltar a fazer planos de seguir fazendo meus passeios e viagens com os meus amigos motociclistas.

O retorno à fábrica

Haja coração!

Nestes últimos dias, depois da emoção de voltar a andar de moto, também chegou o dia de rever a fábrica e finalmente fazer um almoço ao vivo com a minha equipe, respeitando as devidas distâncias preventivas de segurança impostas pela pandemia, mesmo depois de todos estarem vacinados.

Foi um encontro muito emocionante, de coração pulsar mais acelerado, de poder verificar de perto todas as modificações da máquina e com direito a uma surpresa.

A equipe da seção de Acabamento/Escolha queria nos ver, eu e a Cidinha, sempre juntos nessas ocasiões, então lá fomos nós!

Depois de conhecer a parte nova construída, nós chegamos no local combinado e a acolhida foi tão carinhosa, alegre, descontraída e nos fez tão bem que o relógio da Cidinha até parou às três e meia da tarde e nós perdemos a hora de voltar para São Paulo antes do horário do rush.

Nós estávamos com muita saudade de todos e pelo visto e sentido, todos os nossos colaboradores também estavam.

A fábrica está exemplar, produzindo a todo vapor e poder ver tudo isso de perto novamente, com tamanho calor humano não tem preço.

2 Comentários


  1. Eu já disse e continuo dizendo você e o cara ! Parabéns DANTE

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