O hexa não veio mais uma vez

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A Copa do Mundo de 2026 começou no dia 11 de junho, com a abertura no México. Eu acompanhei desde o início, mas com um sentimento diferente das Copas anteriores. Sabe quando você assiste a um filme já sabendo o final? Pois é.

O primeiro jogo do Brasil foi contra o Marrocos, no dia 13 de junho. Empate em 1 x 1. E eu não me emocionei em momento algum. Zero. Nenhum arrepio, nenhum grito, nenhuma esperança, foi como assistir a um treino.

No segundo jogo, contra a Escócia, eu nem lembrei que tinha partida. Marquei um jantar no mesmo horário. Imagina. Há 8 anos escrevo sobre Copas neste blog, fiz questão de registrar as de 2018 e 2022, e em 2026 eu esqueci que o Brasil ia jogar. Isso nunca aconteceu antes.

O Brasil acabou vencendo a Escócia por 3 x 0, com dois gols do Vinicius Jr. e um do Matheus Cunha. Depois venceu o Haiti por 3 x 0 também. Passou em primeiro no grupo. Parecia bem. Mas não estava.

Desde o primeiro jogo, eu tinha um forte sentimento de que a seleção brasileira voltaria cedinho para casa. A equipe demonstrava falta de entrosamento, muitos dos melhores jogadores estavam lesionados, por isso a desmotivação entre os torcedores era visível.

Eu disse claramente: o Brasil seria triturado ao enfrentar seleções fortes como Inglaterra ou Espanha. Não havia expectativa de que o Brasil fosse campeão. O Hexa não viria desta vez e desde o início acreditei que um time europeu seria o campeão. Eram superiores ao Brasil no momento, organizados, entrosados, com liderança em campo.

O mata-mata e a despedida

O Brasil avançou e enfrentou o Japão na segunda fase do mata-mata, no dia 29 de junho. O Japão saiu na frente, Brasil empatou com o Casemiro. E no fim, nos acréscimos, o Martinelli marcou aos 50 minutos do segundo tempo e salvou a seleção de um vexame. Vitória de 2 x 1 de virada.

Foi o tipo de vitória que não convenceu, não empolgou e que nos fazia pensar: “se foi assim contra o Japão, imagine contra uma seleção de verdade.”

E veio a Noruega. Oitavas de final, dia 5 de julho, no MetLife Stadium em Nova Jersey. E a Noruega tinha um jogador chamado Erling Haaland, um nome que vai ficar marcado na história do futebol brasileiro por motivos que ninguém quer lembrar.

Haaland marcou dois gols, aos 34 e aos 44 minutos do segundo tempo. O Neymar marcou de pênalti nos acréscimos, mas já era tarde demais. Brasil 1 x 2 Noruega. Eliminado nas oitavas de final.

Bruno Guimarães ainda perdeu um pênalti, com uma defesa incrível do goleiro Nyland e pronto. Acabou.

O Brasil terminou a Copa em 11º lugar. O pior resultado desde 1966. A eliminação mais precoce em 36 anos. O maior jejum sem títulos da história.

O 7 x 1 que nunca sarou

Tem um divisor de águas que ninguém fala mais, mas que continua doendo. A derrota de 7 x 1 para a Alemanha na Copa de 2014. Aquela derrota não foi apenas uma goleada, mas um golpe no coração da torcida brasileira. Acabou com o entusiasmo, o espírito esportivo com aquela energia gostosa, contagiante que tomava conta do país a cada quatro anos.

Depois daquele 7 x 1, algo mudou. A torcida passou a assistir às Copas com medo, não com esperança e isso é trágico para um país que viveu décadas inteiras acreditando que era o melhor do mundo.

Jogadores que não honram a camisa

Muitos dos jogadores atuais parecem mais preocupados com publicidade, patrocínios e dinheiro do que em honrar a camisa.

O jogador que posa para a câmera antes do jogo, que posta nas redes sociais depois da derrota, que trata a seleção como mais um compromisso na agenda. Isso não é amor pela camisa. É negócio.

E quando comparamos com jogadores de outras seleções, que entram em campo com fome, com garra, com orgulho de representar seu país, a diferença é gritante.

Vou falar algo que pode parecer estranho, mas que eu acredito profundamente: o desempenho de uma seleção nacional está diretamente ligado à situação geral do país.

Um país saudável, financeiramente estável, economicamente forte, com um povo contente, tende a ter um futebol melhor e mais apoio popular. O povo vai para o estádio com orgulho, o jogador sente essa energia. Todo mundo rema na mesma direção.

Em contrapartida, um país doente, com problemas socioeconômicos, com desemprego, com desesperança, vê seu futebol também adoecer. A população se desmotiva e, por vezes, os próprios jogadores jogam com menos comprometimento.

O exemplo da Argentina

A Argentina é um contraste fascinante. Teve problemas no passado, sim. Mas a recente melhoria econômica e o ânimo do povo, sob a liderança do presidente Milei, são associados ao bom desempenho e à renovada paixão da seleção argentina.

A Argentina chegou à final da Copa, perdeu para a Espanha por 1 x 0, na prorrogação, com gol de Ferran Torres. Ficou em segundo lugar pela quarta vez na história, mas o time jogou com alma, com liderança. E aí chegamos ao nome que define tudo: Lionel Messi.

Messi é um líder estratégico e inspirador. Ele não joga apenas com os pés, joga com a cabeça, comanda, organiza e… inspira. Os companheiros olham para ele e sabem: “tem alguém no comando.”

O grande número de torcedores argentinos nos estádios era um sinal claro da felicidade e do orgulho nacional. Eles foram para os Estados Unidos em massa. Cantaram, vibraram, acreditaram e mesmo perdendo a final, voltaram para casa com orgulho.

O Brasil não teve isso. Não teve líder, nem orgulho, não teve massa. Apenas um jogador voltou no avião e não tinha ninguém esperando. Danilo Luiz, que joga pelo Flamengo e é contra bets.

A importância da liderança

E aqui está o ponto que me interessa profundamente, porque se aplica a tudo na vida, não apenas ao futebol.

A necessidade de uma liderança forte é essencial em qualquer esfera. Em empresas, em equipes de trabalho, em seleções de futebol, até mesmo em conversas entre amigos.

Liderança é uma característica inata que pode ser aprimorada. É a capacidade de unir ideias, de fazer com que qualquer projeto ou equipe funcione e avance. Sem liderança, você tem talentos individuais que não se conectam, estrelas que brilham sozinhas, mas que não formam uma constelação.

A seleção brasileira de 2026 tinha jogadores talentosos, mas não tinha líder. Não tinha aquele jogador que olha para os outros e diz: “vem comigo.” E sem isso, o talento individual não vence coletivo organizado.

A Copa do Mundo, mais do que a vitória de um clube, representa o orgulho de uma nação. É o momento em que o país inteiro veste a mesma cor, canta o mesmo hino, torce pelo mesmo objetivo.

A falta de vitórias recentes do Brasil, desde 2002, faz com que gerações mais jovens nunca tenham experimentado o país campeão. Perdeu-se aquela “energia gostosa” de Copas passadas. Mesmo quando não se vencia, havia esperança, magia e o mantra de que “o Brasil é o país do futebol.”

Hoje isso não existe mais. O jovem de 20 anos nunca viu o Brasil ser campeão do mundo. Para ele, o Hexa é uma lenda distante, não uma expectativa real.

A Espanha venceu a Copa de 2026. Um time europeu, como eu disse desde o início. Organizado, bem-comandado. Com liderança em campo e no banco. Coisas que o Brasil, neste momento, não tem.

O Brasil precisa se curar. Não apenas o futebol. O país. A economia. A educação. O orgulho. A liderança.

E quando isso acontecer, talvez a gente volte a sentir aquela energia gostosa. Aquela vontade de ligar a TV e acreditar. Aquela certeza de que, não importa o adversário, o Brasil é o país do futebol.

Mas enquanto isso não acontece, eu sigo aqui, escrevendo sobre Copas. Porque a esperança, mesmo ferida, é a última que morre. E eu, que pretendo viver até os 120, sei que ainda vou ver muitas Copas. Quem sabe uma delas, o Brasil volte a ser campeão.

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