Projeto 120 anos de vida, estamos a caminho

Tempo de leitura: 6 minutos

Estou com 81 anos de vida, 58 anos de trabalho à frente primeiramente da Ramenzoni e depois da Papirus e posso dizer que estou no melhor momento da vida, com a consciência de que envelhecer é algo inadiável, mas podemos cuidar bem do nosso envelhecimento e essa decisão está inteiramente em nossas mãos.

Eu concordo com o Abílio Diniz quando diz em uma de suas palestras, que começou a fazer 80 anos quando estava com 29… só que complemento a frase dizendo que a gente não sabia disso!

Eu penso que até os quarenta anos, a gente não pensa muito no que vai acontecer lá adiante. Você pensa o exato tempo que você precisa usar para resolver as tantas atribuições que a vida vai nos impondo.

Para começar, quando você termina a primeira leva de estudos, a disputa para conseguir se impor na carreira ou empreendimento escolhidos é muito grande. As coisas vão aparecendo e você tem que resolver.

Se você tem capacidade para resolver, quanto mais rápido encontrar as resoluções, mais rapidamente você vai adquirindo novas responsabilidades, pois vai começar a ser mais solicitado para resolver inúmeras outras questões, profissionais, familiares e até relacionadas aos seus núcleos de amizade.

Eu comecei a vida profissional aos 22 anos, trabalhando na empresa da família e desde lá sentia o tempo escoando pelas minhas mãos, sem muito tempo para planejar muito o que gostaria que acontecesse, porque as coisas simplesmente iam acontecendo, uma atrás da outra, em um média de X horas diárias de muitas atribulações.

E entendam que calculei essa média depois de fazer algumas contas, pois quando comecei a pensar em escrever sobre esse tema, o que me veio de imediato à cabeça?

Eu comecei a pensar em fazer as contas de quantas horas eu ficava na fábrica da Ramenzoni Chapéus, não só no escritório, mas na fábrica inteira, todos os dias… pois bem, eu chegava às 8 horas da manhã, ao meio-dia fazia uma pausa para almoçar, retornava às 13h30 e aí só Deus poderia estimar a hora em que eu voltaria para casa. O previsto era sair às 18h, mas isso costumava se estender para às 19, 20, 21h!

Às vezes aconteciam compromissos de aliviar as tensões do dia em um encontro com os funcionários da fábrica para jogar papo fora, tomarmos um drinque para desanuviar a cabeça, como costumávamos falar. Isso era lazer, mas era trabalho!

Eu acho que não devemos trabalhar tantas horas por dia e só a partir dos 40 anos esse pensamento bate forte e começamos a pensar no futuro.

E o que você precisa para viver muito?

Precisa se cuidar!

E o que precisamos fazer para nos cuidar?

Fazer exercícios, principalmente se ficar sentado o dia inteiro resolvendo problemas da empresa.

Precisa se preparar mentalmente. Por exemplo, continuar estudando a vida inteira. Aprender e compartilhar o que vai aprendendo, porque compartilhar também faz um bem imensurável.

Aí chegamos nos 60 anos e exclamamos para nós mesmos “poxa vida, mas agora eu já andei mais da metade do caminho… Mais da metade da vida vivida! E agora?”

Detalhe importante: quando eu fiz 60 anos, em 1998, a média de vida era de 65 anos! Será que teria só mais cinco anos de vida?

Quem morre cedo não envelhece e perde tanta coisa.

Espera! Mas eu não quero morrer, eu QUERO viver o dobro!

A primeira vez que eu falei isso foi em uma reunião com meus filhos, na Papirus, disse-lhes que estava com vontade de comprar uma fazenda e eles perguntaram, “mas você pretende viver quantos anos?” E eu respondi “120!”.

Dá para viver bem em uma idade mais avançada e a força vem da nossa vontade de querer viver bem.

Mas como vou conseguir viver o dobro? Preciso me preparar mentalmente, fisicamente, porque se temos boa saúde física e mental, tudo fica mais fácil.

Precisa também aprender a trabalhar as emoções, coisa difícil, que eu venho aprendendo, mas sem nenhum receio de aparentar minhas emoções.

E para viver até 120 tem que ter qualidade de vida, mente ordenada e criativa. 

Mas tem que ter um histórico bom de práticas esportivas, de exercícios de ginástica, porque o corpo precisa disso em todas as idades, e cada década que avançamos no calendário, precisamos ir ajustando os exercícios mais indicados, porque as dores chegam e precisamos nos exercitar mesmo com as chamadas “dores da idade.”

Quando eu não tinha tempo para me exercitar no decorrer da semana, aproveitava os finais de semana na casa de praia para em exercitar o máximo possível. Corria na areia, nadava, velejava etc.

Mas voltando aos 60 anos… primeira coisa que passou na minha cabeça: preciso profissionalizar a empresa para ter mais tempo para fazer outras coisas que QUERO.

Por exemplo, comprar uma fazenda e criar gado Guzerá, coisa que fiz em 1999 e comecei a operar no início dos anos 2000. A princípio com o intuito de relaxar, mas que logo virou um negócio lucrativo e que deu o maior trabalho para mim e minha esposa Cidinha, mas valeu muito a pena. Foram novos aprendizados e várias conquistas.

E assim o tempo foi passando, completei 80 anos em 2018 e cada vez mais percebo que preciso aprimorar os cuidados com a minha saúde física, mental e emocional e criar projetos paralelos o tempo todo. Encerro um ciclo e começo outros (como por exemplo escrever esse blog!).

Sei que meu objetivo agora é um dos mais ambiciosos da vida.

Muita gente já pensou viver até os 120, mas não chegou nem perto!

Pouquíssimas pessoas ultrapassam os 105 anos.

De qualquer forma, eu me sinto muito animado a seguir com esse propósito nos 39 anos de caminhada que terei pela frente e trilharei com muita positividade.

Física e mentalmente me sinto ótimo!

Se olhar para trás, do 0 aos 60, que foi o meu ponto de virada, não projetei muito, fui vencendo os desafios como se apresentavam e cheguei.

Aos 60, assumi a liderança da minha vida, virei dono do meu nariz e joguei ao universo “QUERO mais 60 anos!”. Agora é que a vida vai me reservar as melhores coisas e as projeções são as mais otimistas possíveis.

No próximo post, vou contar algumas reflexões e ações que contribuíram para eu chegar até aqui, planejando seguir firme rumo aos 120.

Até lá!

4 Comentários


  1. Parabéns, compadre! Adorei o seu pensamento.
    É isso mesmo. Vamos viver mais e bem a cada dia. Também penso assim. Grande abraço, Beth

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