De pedra em pedra, todas foram removidas

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Desde os meus tempos de criança, sempre tive o maior interesse para entender mais sobre motores e adorava trocar ideias e aprender com o mecânico do meu pai, Bruno Meneghello.

Falando nisso, começa a passar um filme na minha cabeça: as corridas de lancha, as competições de barco à vela, o ronco das motocicletas, a pilotagem de avião, a acelerada nos carros, as máquinas para produção de papelcartão, a montagem da fazenda de criação de gado Guzerá…

Hoje compreendo que foram pontos que sempre se interligaram atrelados à paixão por motores e máquinas desde a mais tenra infância, e o interessante da história é que esses motores só foram aumentando de potência.

Quando eu assumi a Papirus, em 1972, a máquina de fazer papelcartão tinha cerca de 4000 cavalos.

Hoje tem mais que o triplo, o que corresponde a 12.500 cavalos e a produção foi multiplicada por 7, ou seja, cresceu sete vezes!

Vamos combinar, uma baita evolução desde quando comecei a mexer com os motores importados da lancha do meu pai, que tinha por volta de 100 HP’s.

E é assim que a vida vai seguindo, sempre em frente! Apesar das pedras no caminho, eu vou criando os cenários e as tramas que quero viver!

Não deixa de ser um curso de boas maneiras que fui fazendo com a vida e com as pessoas que passaram e passam pela minha história.

Não deixa de ser um curso de boas maneiras como eu cuido da minha saúde, do meu corpo, afinal é o meu motor propulsor de energia para atingir o meu projeto mais audacioso: chegar aos 120 anos, com a máquina funcionando a todo vapor.

E a “nossa” máquina, de tempos em tempos, precisa de reparos, e não podemos titubear em recorrer aos recursos necessários para ir sanando os problemas, o que, em linguagem figurada significa “retirar as pedras do caminho” para poder seguir em frente sem tropeçar.

Há 40 anos, por exemplo, em meio a uma agenda de viagens corporativas para a Inglaterra, Itália e Nova York, apareceu um tumor no meu pulmão, um granuloma de origem desconhecida, normalmente transmitido por morcegos. Resultado: precisei retirar o lobo inferior do pulmão esquerdo, para descobrir que o tumor era benigno.

(Como essa pedra apareceu no meu caminho continua sendo uma incógnita, pois nunca pisei em uma caverna, o local predileto dos morcegos!)

Passados 11 dias da cirurgia, eu já estava no meu escritório trabalhando normalmente, o que gerou o seguinte comentário do Dr. Frederico Aun: “Dante, você é um verdadeiro cyborg!”

Agora em 2021, aos 82 anos, foram duas pedras gigantes que cruzaram o meu caminho e ambas ao mesmo tempo!

No início do ano, em uma consulta com o Dr. Tarcísio Eloy Pessoa de Barros Filho para analisar com maior profundidade uma insistente dor no quadril, descobri que o problema mais urgente, na verdade, estava na coluna e precisei realizar a cirurgia em meio à pandemia.  

Graças a Deus a cirurgia foi um sucesso e a recuperação só não foi perfeita porque o quadril continuou reclamando muito e parecia me perguntar: quando vai chegar a minha vez de ser renovado?

Pergunta que foi prontamente respondida, algumas semanas depois, quando lá fui eu mais uma vez encarar o centro cirúrgico, dessa vez para colocar uma prótese no quadril. (Precisava recuperá-lo para poder voltar a curtir as minhas viagens de moto em paz!)

Na semana passada, em visita pós-cirúrgica ao Dr. Giancarlo Polesello, médico que realizou a cirurgia no meu quadril (e me colocou para andar quatro horas após acordar da anestesia!), eu disse para ele:

_ Dr. Gian, eu não preciso mais da bengala!

_ Ok. Você está andando bem, eu vou te liberar da bengala, porém, quando você estiver andando na rua, você leva a bengala, porque além de ser um apoio e  evitar a dor, ela vai sinalizar que as pessoas precisam tomar cuidado quando se aproximarem de você.

E seguiu fazendo os testes, aperta daqui, aperta de lá, até que após a última pancadinha no pé para ver se aparecia alguma dor, ele declarou:

_ Dante, você é Top Ten! Está entre os dez melhores pacientes que eu tive nas 2000 cirurgias que já realizei.

_ Como assim, doutor? É sério?

_ Seriíssimo! Com a sua idade, fazendo isso que o senhor está fazendo, é Top Ten!

Depois dessa, vamos em frente por que o melhor ainda está por vir e estou com energia redobrada para continuar firme na remoção das próximas pedras.

(Tudo bem que ainda está difícil para realizar alguns movimentos, e isso é normal e sem motivos para revoltas, afinal, 25 dias após essa segunda cirurgia, já consigo colocar minhas meias e isso é um grande progresso!)

4 Comentários


  1. Isso não me surpreende, sempre soube da sua força! Parabéns e muita saúde!!

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  2. Parabéns, companheiro. Como sempre te digo, você é indestrutível. Muito orgulho de você.

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